No país da democracia, o imperialismo é sobre o professor!
A cada quatro anos, a população tem a oportunidade de substituir aqueles que entram para a política apenas em benefício próprio, e não em prol do povo — os mesmos que recebem desde o auxílio-paletó até o descabido auxílio-pajem. E não é mau uso: é uso impróprio mesmo, gasto exacerbado e desnecessário com o nosso dinheiro.
No Brasil, seja na alta, na média ou na baixa política, o que ainda impera é uma troca de favores. A velha política perdura em todas as castas, como um câncer que se alastra e corrói os órgãos principais — o povo. Isso ocorre em todas as pastas: saúde, administração, obras e, lamentavelmente, também na educação. Lugares onde deveriam estar pessoas não apenas capacitadas, mas que também conhecessem de gente, de respeito e de olhar humano. No entanto, o que se vê nesse constante “troca-troca” são pessoas sem tato.
No ir e vir de prefeitos, na pasta que me cabe comentar — a da educação —, o que se observa é que, em uma das áreas mais importantes de uma gestão, quem assina não tem trato nem com seus superiores, quem dirá com os pares. Quando o “subir no palanque” passa a funcionar como seletivo, desmantela-se o direito à igualdade. Nem mesmo os editais são pautados nesse princípio, mas sim no ato de desfavorecer os considerados desafetos.
O que vimos na maioria dos municípios brasileiros é que, se o gestor anterior não estava a contento da maioria, o próximo, quase sempre, consegue ser pior. O resultado é uma educação doente, com muitos professores desanimados, frustrados porque seus direitos não são respeitados, e cansados por viverem abarrotados de burocracias impostas por estados e municípios. Burocracias descabidas, que só reforçam o desamparo. Sem esperança, os professores adoecem.
O ser humano ainda não tem poderes de máquina, desde as serventes que mantém a escola limpa e organizada, às cozinheiras que preparam a merenda, até passar por professores, supervisores e diretores, todos necessitam de cuidados, que a máquina não requer, uma das classes que mais têm adoecido no Brasil é a dos professores, no Paraná inclusive, uma professora morreu dentro da escola.
Ser educador não é missão; é trabalho árduo, suado, regado a lágrimas quando os resultados não são alcançados. Nosso público-alvo está cada vez mais em desalinho. Alunos e alunas, imersos na tecnologia, mostram-se agitados; a educação começou num ciclo acelerado, no “modo IA” de prontidão. Muitos não dominam questões básicas de matemática, leem o suficiente apenas para pegar um ônibus e, quando fazem alguma inferência, é para analisar o último “prompt” digitalizado na inteligência artificial.
Os pais relegaram à escola não apenas o papel de educar — ensinar valores e aptidões que deveriam ser aprendidos em casa —, mas também o dever de acompanhar e orientar a vida dos filhos. Muitos pais sequer sabem o que seus filhos fazem na escola, com quem andam, o que veem e o que fazem nas intermináveis horas diante das telas, que usurpam o tempo e retiram a paciência e a calma que necessitam para ouvir e aprender.
A cobrança de muitos pais não é sobre os filhos, mas sobre os professores. Se o professor chama a atenção, é o errado; se o aluno não tira nota, a culpa é do professor. Não precisamos de professores-palhaços que criem modinhas na sala de aula; Precisamos de um público atento, que mantenha a educação advinda de casa, sem desrespeito verbal ou físico a professores e professoras. O tédio criativo é necessário para a aprendizagem.
Mas, se há esperança, ela também se encontra na educação. Uma amiga, professora de História no Paraná, ainda tem a sala de aula como palco do tempo de aprendizagem. Ela ensina, cobra — não só disciplina, mas o direito silencioso de aprender. Foi eleita a melhor professora por alunos e alunas que não se dignaram a eleger o “legalzão”, mas a professora que realmente cobra. Ela foi citada por grande parte deles, feito esse, que nos inspira a continuar.
Que os profissionais da educação não tenham o pão usurpado de suas mãos — literal e metaforicamente. Seja o pão nosso de cada dia, por meio do salário, seja o pão que alimenta a autoestima, o ânimo, a vontade de trabalhar. Que neste 15 de outubro de 2025 possamos refletir sobre nossa profissão e sobre a quem daremos o nosso precioso voto.
Porque, na sonata de entrada e saída de prefeitos e governos, troca-se toda a orquestra interna. Que cobremos de nossos candidatos os nomes daqueles que, ao levantar bandeiras e subir em palanques, colocarão para nos orientar e gerir. Estamos cansados do desgoverno, de ter nossos direitos negados — sejam férias-prêmio, licenças para pós-graduação ou qualquer outro direito suprimido ao bel-prazer da administração pública. Que nossos direitos não sejam destinados apenas aos “chegados” de quem governa. Se soubermos, antes, quem tocará cada sonata, poderemos escolher melhor. Porque, ao colocar um músico dissonante, abandonamos a apresentação.
Estamos realmente cansados de ouvir e presenciar absurdos: “professor não merece rateio do Fundeb”, “é melhor comprar lousa digital do que beneficiar professores com um abono” — mesmo quando há sobras. O que quase nunca ocorre, já que a distribuição de cargos à revelia sobrecarrega a máquina pública.
Não queremos mais ser perseguidos por discordar, por não abanar bandeiras, por não subir em palanques. Muitos professores e professoras estão cansados, desanimados — e, se o discurso é o da ironia, é porque ligou o modo IA, pois a nau da educação, em parte, está à deriva no mar lamacento da política de favores. Mas existe uma parte que resiste, que respira por aparelhos e com dificuldade, que tem batimentos cardíacos quase imperceptíveis — mas vive e saltita, mesmo que a leves pulos. Essa gazela reinante ainda acredita na educação livre desses laços, ainda crê em uma educação que faz a diferença, ainda acredita no papel motivador e transformador da escola junto à sociedade.
Feliz Dia dos Professores, meus caros e caras colegas!

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