A caravela dos insanos, Por Akácia Ribeiro
A
caravela dos insanos
Por Akácia Ribeiro
Era oceano enquanto singrava
os veios da terra. Manancial quando corria livre entre colinas. Era vida ao
reverberar pelos campos sedentos.
Clamam os desaforados
enquanto observam o naufrágio de períodos quase esquecidos, querem eternizar o
momento enquanto a vida passa, a vida passa meu bem!
O híbrido conforto de estar
bem se resume em poder sorrir sem máscaras. A convenção social impõem as regras
do bom vizinho. No charque interior de cada um somente seu ensejo em desejar o
bem ou o mal aos outros, um poder intimamente ligado à aceitação do
constrangimento e do perdão.
O que levamos da tênue
jornada são os indeléveis momentos que nos permitimos contribuir com o outro, o
que fica são os olhares ternos, o toque aveludado, o sorriso confiante, a mão
que se estende amiga.
Olhe em mar aberto, segue
rumo ao horizonte sem fim a caravela dos insanos, que corrompem e são
corrompidos, que profanam e são profanados. Até quando hão de encher de discórdia
o que era para ser paz?
Nesse meio tempo é possível
que olhos se fechem; que ouvidos não creiam; que a boca se cale e o corpo desfaleça...
...Contudo, possível também
é, que olhos se abram, ouvidos acreditem, a boca proclame e o corpo se eleve
para caminhar e bramir aos insensatos, que a vida passa, a vida passa muito
veloz meu bem!
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