Que nossa voz ecoe!

Antes de ler o texto, assistam à gravação caseira de minhas cachorras num momento de descontração, veja que é nessa felicidade que nossos amigos animais deveriam viver. 
Todos eles!


Por nossos animais que sofrem!

Mortos-vivos
Por Akácia Ribeiro

A diligência do mundo segue seu rumo, rumo ao nada e a lugar nenhum, seguimos deixando um rastro de destruição, de desalinho, de indiferença e medo. Medo de que o amanhã seja a cinza do hoje e um resquício amargo de esperança do ontem.

A fauna e flora clamam por um pouco de arrimo e mão amiga, indiferentes, caminhamos como mortos-vivos e seguimos nossa trajetória ignorando o que vemos.

O banal a lhes cegar os olhos, não é um “ensaio sobre a cegueira”, não mais, é a cegueira real de um povo, que acostumado ao holocausto diário e personalizado, por vezes, não distingue o joio do trigo, preferem a remela que lhes gruda as pálpebras, do que o desalinho das lágrimas da indignação.

Quando a educação em casa falha, pagamos, quando a educação na escola falha, pagamos, quando a economia falha, pagamos, quando o governo falha, pagamos, além de pagarmos nossas próprias falhas, pagamos a falta coletiva. E o preço cobrado é o sangue coagulado nos esgotos de nossa inércia.

Mais um câncer social, animais sofrem com o descaso, abandonados à sorte, pessoas maltratam animais nas ruas; pessoas maltratam animais nos quintais, dentro das casas; pessoas maltratam animais nos zoológicos; pessoas matam animais com veneno, com vidro, com chumbinho, na paulada, no tiro, esses animais padecem à ignorância pública e social.

Quando saímos às ruas, cachorros e gatos entregues ao destino vagam soturnos e solitários, comem o que o lixo lhes dispõe, ou quando mão amiga lhe apraz o sustento do dia. Cito esses como lembrança dos demais, pois trombamos com cachorros e gatos abandonados diariamente.

Deparei-me há um tempo, com um cachorro, o olho para fora e a cara machucada, perante minha impotência, chorei feito uma criança que perde algo precioso, o que eu poderia fazer? Levá-lo para minha casa pequena, onde cuido de duas cachorras e tento dar-lhes um pouco de alegria? Diga-me, como salvar nossos animais que padecem às heranças do nosso sangue?

Rendamos graças, pois ainda temos a caravela dos afortunados, que se prestam ao trabalho de formiguinha, que lutam por nossos animais ignorados e depostos ao esquecimento.

É aviltante, em um programa matinal de sábado, da TV aberta, alguém pergunta, “por que essa cachorra não foi adotada”, a resposta hesita, mas vocifera a inclemência, “porque é preta”, até com os animais a discriminação, a atroz discriminação.

O tráfico de animais silvestres em nosso país é mais uma macha sanguinolenta que invade nossas vidas, sem que ninguém tome consciência, as pessoas são sobrepujadas pelo medo, resignadas temem a denúncia, esse domínio biltre que nos é imposto pelas víboras que devoram e impedem a sociedade de evoluir.

Nossos animais sofrem amarrados em garagens, em carros velhos aguentando o sol, a chuva, o frio, a fome, esperando pacientemente que a morte lhes dê o descanso, que não puderam ter em vida, simplesmente porque, você, eu, nós não temos a coragem resiliente de enfrentar o medo e denunciar o agressor, que não passa de uma hiena social que se vangloria com o odor do medo alheio.

Ainda há rinhas financiadas pela sede de sangue e de maldade, ainda há o tráfico de animais, ainda há os maus-tratos do ser, que de olhar inocente, nem sabe por que apanha, ainda há você, eu, nós que financiamos o tráfico, a impunidade, as cadeias superlotadas, a violência doméstica, o preconceito, o descaso, ainda há!!!!!!!!!!!!!!! E até quando?

O que devemos exercer para que esse círculo vicioso se encerre são nossos direitos, nossos direitos de voto, de protesto, nosso direito de saber quem nossos governantes estão colocando para gerenciar o seu município, o seu estado, o seu país, a idoneidade dessas pessoas, seu caráter social, participar de sessões nas câmaras, pedir a prestação de contas, de cada centavo e exercer de fato nossa cidadania.

Precisamos amar a natureza e os animais e proteger o que Deus nos confiou, para que pudéssemos viver com sabedoria, amor e respeito.

Precisamos tomar as rédeas do país ulcerado e invadido pelas feridas sociais que ajudamos a impingir, sair às ruas e clamarmos a Deus a misericórdia, que nos dará um pouco de refrigério.

Precisamos do levante dos mortos-vivos, que sedentos não pelo sangue, mas pela vida plena, revivam e sigam resolutos, confiantes na justiça, em busca da qualidade de vida, que lhes foi retirada pelas sanguessugas do paraíso fiscal e do descaso.


As imagens foram retiradas de vários sites. Lista de alguns.

http://bionarede.crbio04.gov.br/2013/04/comercio-de-bilis-leva-ursos-extincao.html
http://slideplayer.com.br/slide/1220576/
http://www.anda.jor.br/16/02/2011/defensores-de-animais-boicotam-empresa-que-faz-remedio-com-bilis-de-urso-na-china


Compartilhe nossa indignação!

Obrigada a todos!

Akácia Ribeiro.


Comentários

  1. Parabéns pelo seus trabalhos Acácia. Estou acompanhando alguns e são todos otimos. Em relação a esse dos cachorrinhos, não consegui ver o vídeo, pois não carregou, mas o texto em si fala tudo. Parabéns novamente.

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  2. Obrigada Thais por seu apoio, sei que também compartilha dessa ideia. O vídeo Márcio enviará para você. Abraço.

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