Um dia para recordar!

Eflúvios de sol

Por Akácia Ribeiro


Hoje resolvi abrir minhas gavetas velhas e empoeiradas e resgatar lembranças adormecidas, que soterradas pelas indecisões do tempo encarceram minha face esmaecida, para que a vida, uma vez em desalinho, reencontre seu prumo.

De braços dados com as reminiscências, sinto o cheiro do tempo a resvalar pelos papéis, tomo-os as mãos como se fossem documentos preciosos e são, diários, diplomas, cartas, rabiscos, frases e... Fotos.

Nelas, as recordações banhadas em eflúvios de sol, tempo em que se podia sorrir sem máscaras e admoestações futuras.

Amizades sinceras, amores perdidos, esquecidos, guardados no baú das recordações como plumas de alento, lançadas ao vento são histórias em construção do que somos, do que fomos, do que seremos.

A família reunida em torno da mesa, do fogão à lenha, o frango caipira, do tinto engarrafado pelas mãos do trabalho e a alegria presa a sete chaves em cada canto.

O pai, a mãe e os irmãos a sorrir compadecidos e enuviados pelas promessas de futuro vindouro, sonhos remanescentes da aurora que se rompe a cada manhã e desfalece com o adormecer do sol.

Eram em eflúvios de sol, que nos banhávamos na alegria e condescendentes distribuíam-na aos baldes, no tempo em que não a maldade e a violência, no tempo em que não as lascívias na política, no tempo em que não as mazelas na saúde, no tempo em que não ao descontrole na educação.

No tempo de eflúvios de sol me fiz gente, me fiz ser, me fiz o que sou, e hoje, se continuo a sorrir e falar sem máscaras foi à educação da firmeza que me constituí, ali, sorria como se a vida se abrisse em alvorada e o que se firmavam eram os raios de sol.

Somos todos eflúvios de sol, todos resplandecentes de terna alegria, que a bondade insiste em espalhar entre as eras do infortúnio.

O enternecer dos anos relega paz, harmonia e felicidade aos que com primazia e respeito vivem a vida, aos que, além do átomo da mesmice, retiram do vinho embebecido em carvalho, o melhor néctar, o mais doce para ser servido aos que fervilham e borbulham eflúvios de sol.

Compartilhe as boas recordações!
Grande abraço.
Obrigada.




Comentários

  1. Recordei de minha infância em Rondônia, o fogão à lenha, minhas irmãs, meu pai, minha mãe, meus avós, todos felizes e animados com o futuro. Muito bom.

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  2. Obrigada, meu querido esposo e amigo por seu apoio aqui no blog.

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