Entre risos e lágrimas, as nuances de outrora!!!
Neste mês de março,
o blog vai homenagear as mulheres do Brasil e do mundo, sendo assim, teremos
textos quarta e sábado.
Os
textos virão de diversos professores, de diversas áreas e sua visão do
feminino.
Às
vezes, parece pretensioso e feminista termos uma data para
homenageá-las, mas se há uma data é por que há um evento especial, e esse
evento são nossas conquistas, as conquistas de podermos ir e vir,
e, que muitas ainda não podem exercer em alguns países.
Foi
preciso muito sufrágio para que nós mulheres pudéssemos votar, trabalhar,
decidir, opinar, muitas não se dão conta de sua importância, outras relegam ao
desmazelo ser quem são.
Contudo,
aprendi com minha falecida mãe que, antes a luta do que a omissão, antes o
choro por não ter conquistado, do que à apatia por não ter tentado.
Por Akácia Ribeiro
Ainda nas tardes de inverno nos
sentamos para o chá. Enternecidas pela fumaça que se esvai de cada xícara,
rimos compadecidas com as conquistas de outrora.
Rimos sobre o riso daquelas que sobreviveram
ao incêndio criminoso na fábrica, com aquelas que depois do sufrágio
conquistaram de riso aberto o voto, com aquelas que puderam sair de casa para
trabalhar, com aquelas não sofreram mais de achaques nas revistas, com aquelas
que saíram debaixo da bota de seus maridos, com aquelas que no trabalho não
eram molestadas por seus patrões miseráveis, só porque eram mulheres.
Rimos envaidecidas por não sermos
assassinadas, por não sermos molestadas, por não sermos violadas, por não sermos
humilhadas, por não sermos ignoradas, por não sermos esquecidas.
E, falamos de toda a alegria e de
toda a dor reunida.
Brindamos ao chá de hibisco e
frutas silvestres nossos momentos de felicidade, nossos desassossegos, nossas
incertezas, nossos devaneios e nossas vitórias.
Discutimos afoitas, a violência, a
traição, o rancor, o abandono e o medo.
De peito aberto, muitas cultivam o
perdão ao namorado, ao companheiro, ao marido que as traem sem pudor porque se
escondem no bordão de que são “homens”, e, “sendo homens”, não podem arcar com
a decência.
Evocamos a dor e o medo quando
temos filhos (as), a dor pelo tempo que passa e se perde nas horas, o medo do
que hão de viver, hão de chorar, mas também sorrimos felizes com suas
conquistas, passamos a viver um pouco neles (as), os (as) amamos
incondicionalmente, para que dispendiosamente ganhem o mundo e sigam suas
vidas.
Depois, a velhice nos assalta de
madrugada, nos coloca em posição de alerta, muitas se veem abandonadas,
desamparadas, solitárias nos mistérios e no esquecimento de seu cérebro.
Às afortunadas, brindarão mais uma
vez, a consolidação da sabedoria e o refrigério de junto aos seus conviver em
liberdade, em afeição e retribuição pelos longos anos de dedicação.
O sorriso dos netos, a alegria dos
filhos, a convivência de partilha com o cônjuge, a sabedoria encerrada nos anos
de aprendizagem.
A vida passa, viraremos as páginas
de nosso desassossego, isolaremos nossas tristezas, expandiremos nossas
alegrias, e, os lírios, as camélias, os cravos, as hortênsias, as flores-de-maio,
as melissas, os narcisos, os gerânios, nossas flores em carmim, branco, lazúli,
perfumarão os dias mais frios e rebordarão com cores o caminho longo e cheio de
pedregulhos.
De longe, ouviremos o eco da poesia
encerrada nas palavras que não foram ditas, e que nos perseguem, como um poema
em branco lançado ao vento.
O poema não declamado e não
escrito, mas que traduziria a beleza do momento, o riso de outrora.
Essa ode escrita às mulheres-mães,
que com o rosto recoberto de lágrimas enterraram seus filhos e filhas, perdidos
no trânsito, nas drogas, no tráfico, no crime, no ciúme, no latrocínio, na
guerra, nas brigas, na indiferença da violência, que saqueia e deixa somente um
rastro de sangue e morte.
Compadecidas,juntaremos nossos
fragmentos, nossas derrotas, nossos medos, nossos traumas e seguiremos
resolutas, rumo à alegria, porque somos mulheres. Fomos tecidas na dor e
cunhadas no desejo, cada olhar de mãe, de amiga, de irmã, de mulher é uma prece aos dias vindouros, às promessas de aconchego e de vitória.
Porque, o que mais queremos e
desejamos são dias sempre melhores!
Semeie, compartilhe!
Grande abraço.
Obrigada!


Mesmo na atualidade, nunca foi tão importante discutirmos sobre o papel da mulher e seus direitos, não entendo porque muitos homens ainda insistem em se colocar no papel de donos, sendo que somos filhos do mesmo Pai, e, deveríamos ter os mesmo direitos.
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