O bom nunca perde!

Hoje só por hoje.
Por Akácia Ribeiro
Nem bem começamos o ano e nos vemos inundados pelos infortúnios que nos cercam, o desânimo nos invade, sentimo-nos sufocados.

Logo na virada de 2016 para 2017 ficamos sabendo, logo ao raiar, sobre um massacre em Campinas, um homem descontente decide por fim a vida de várias pessoas, que estivesse indignado do jeito que estivesse, mas que não desistisse de lutar pela verdade, por mais que demore, ela aparece, mas chacinar o próprio filho em detrimento de um rancor recôndito, isso já é demais.

Depois, vêm as sucessões, massacre em Manaus, massacre em Roraima, massacre aqui, massacre acolá, assalto, roubo, estupro, e... Ponto.

O cidadão de bem segue, segue caminhando como um transeunte sem rumo, desconexo, olhar vidrado, contrito, boca serrada, mãos espalmadas e pés cansados, mas persiste.

Nessa luta árdua e vã em que direitos humanos não se humanizam; que a política é acoito de malandro; que temos medo do bandido e da polícia, do vizinho, do mendigo que nos pede pão, da pessoa que pede informação e até do padre, do pastor, de nós, de... Enfim.

Temos que persistir, mesmo a esmo, temos que ter coragem de prosseguir, desistir jamais.

Temos que ter coragem de acordar logo cedo, pela manhã e sairmos eticamente para trabalhar e lá, mediante tudo, fazer o melhor, sempre.

Temos que ter coragem de acompanhar os filhos na escola, de ver seus cadernos, acompanhar seus trabalhos escolares, de saber como foi o seu dia, seus percalços, desamores e ensinar-lhes boas lições.

Temos que ter coragem para falar sobre política, saber como funciona a máquina pública, questionar onde empregam o seu dinheiro. Como um bicho-de-pé nos entranhar nos vãos de seus dedos, para que prestem contas de cada centavo do que é seu.

Temos que ter coragem para seguir uma religião, seja ela qual for, mesmo que seja a sua com Deus.

Temos que ter coragem de conquistar amigos e com eles compartilhar alegrias e tristezas.

Temos que ter coragem de abandonar a preguiça e ler mais, o cidadão que lê, compreende e opina, sabe escolher.

Temos que ter coragem de amar o próximo como a si, mas amor de verdade, não como é vendido por aí, o amor de verdade estará contigo, na angústia, na dor, no sofrimento, na fome, nas perdas, na alegria, na bonança, no aconchego, na felicidade.

Temos que ter coragem de nos inspirar nos heróis do cotidiano, não em pessoas, que distantes de nós, vivem e celebram as nossas custas.

Enfim, temos que ter coragem, mesmo quando tudo te impele ao descrédito, ouse ter coragem, mediante a violência, ouse vestir-se de inspiração em boas atitudes.

O bom nunca perde, mesmo que o silencie, seu silêncio ecoa nas paredes, se embrenha pelas praças, pelas ruas, pelos blogs, pelas redes sociais.

O silêncio do bem é o grito da maldade, que geme aos barrancos, quando pessoas de bem saem às ruas em paz para pedir mudanças, quando pessoas de bem compartilham o bem.

Meus amigos, que nosso silêncio de palavras escritas, seja uma arma poderosa contra todos aqueles que professam o grito do infortúnio.

O silêncio do bem, hoje e só por hoje é o martírio de quem professa o mal!




Akácia Ribeiro

Comentários

  1. Ótimo texto, precisamos fazer uma corrente de silêncio para mudarmos essa triste realidade de violência. Muito bom.

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  2. Boa noite. Precisamos de mais pessoas como esta escritora, pessoa que fala e escreve muito bem, mas que além disso faz o mundo ao seu redor acontecer.

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    1. Obrigada meu amigo. Meus sinceros agradecimentos por estar junto conosco nessa caminhada!
      Abraço.

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