Nossas raízes!
O bate-papo desse fim de semana é uma questão
espinhosa e vil de nossa história, outra minissérie sobre a escravidão
terminou, novelas e outras minisséries sobre o tema surgirão, mais uma vez,
tivemos contato com uma questão que assolou e ainda nos assola a servidão por
anos de um povo a outro e o preconceito que ainda impera com esse povo, que é o
meu povo e o seu.
Para promover uma análise sobre o tema pedi ao
Professor de Geografia, José Alves que fizesse uma introdução sobre as
etnias que formaram o povo brasileiro, para que pudesse escrever o meu texto.
Meus agradecimentos por sua contribuição. Vamos às discussões.
Raízes de um povo
Por José Alves.
Temos
nos dias atuais, dentro do mesmo estado/nação, um emaranhado de traços
culturais, oriundos de diversos grupos étnicos. Esses traços transformaram, e,
em outros momentos, foram transformados ao entrarem em contato com outros
grupos. Este processo, de impor e ceder características étnicas e culturais,
contribuiu para a formação do povo brasileiro.
Nossa
formação étnica teve como tela a etnia portuguesa, esta base, além da premissa
inicial, seria a melhor possível? Seria estruturada, a ponto de formar uma
nação? Ou pelo contrário, trouxe para a tela, uma base composta também, por
prostitutas e ladrões, acrescentavam ainda, alguns grupos de gananciosos, que
vinham para a colônia tentarem a sorte, ou seja, explorar a terra e extrair dela,
tudo o que pudesse oferecer, e a ela nada a acrescentar, a não ser a cobiça, e
tudo, fosse algo bom ou de algum valor eram enviados e investidos em Portugal.
Sobrepondo
a tela em branco, acrescentam-se os grupos indígenas, pessoas que viviam lado a
lado com a natureza, praticando a caça, a pesca e uma agricultura naturalista.
De pouco trabalho, esses povos labutavam apenas o suficiente para sobreviver,
traços culturais bem distantes dos empreendidos pelos capitalistas europeus.
Dando
mais cor e vida a essa tela, foram incorporados os povos vindos do continente
africano, trazidos como escravos, estes tinham nos braços a força, força esta,
que ajudou os senhores de engenhos a se tornarem mais poderosos e ricos. Essas
mãos, também garimparam o ouro “Das Gerais”, tornando o brilho da coroa mais
dourado e os mineradores brancos mais “nobres”.
E,
quando a eles foi concedida a liberdade, foram colocados às margens do
submundo, da miséria, vivendo em cortiços e barracos, dando origem as
periferias dos grandes centros.
Completando
a aquarela desta tela que é a etnia brasileira, diversos grupos de imigrantes,
trilhados por sonhos, em busca de uma vida melhor para si e para os seus,
chegaram nesta terra e fizeram dela o seu lar, vindos da Europa, como Italianos
e alemães, outros vindos da Ásia, como japoneses e libaneses.
Muitos
outros vieram, trouxeram consigo sua cultura, que aculturou e foi aculturada.
Ainda
nos dias de hoje, essa tela recebe tinta fresca, e, se integrando à pintura,
grupos latinos, como os Haitianos e Bolivianos que na procura de fatores
atrativos, rumam para estas terras.
Todos
estes povos e muitos outros ajudaram e ajudam a formar essa nação brasileira.
(José Alves da Silva Filho é professor de
Geografia, do Ensino Fundamental II na Escola Municipal Benedita Braga Cobra e do
Ensino Médio da Escola Estadual Monsenhor José Paulino.)
Que país é esse?
Compositor: Renato Russo
Nas favelas, no senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que País é Esse? Uma discussão sobre nossas
raízes!
Por Akácia Ribeiro
Decidi
promover a intertextualidade, com o título de uma das grandes letras do
compositor Renato Russo, para abrir o meu texto, “Que país é esse?”, esse é o
nosso país, que urge e clama por respeito, por mais tolerância, por dignidade.
Não
só na periferia, nos morros, no senado, no palácio central, nas cidades, a
sujeira se entranhou em todos os lugares, como já citei em outro texto (Então é Natal...o ano se foi e o que você fez?), a
constituição e a ética só no fim de ano.
Se
atenha a frase que encerra a primeira estrofe da música, nela grifei, e esta é “a
parte que me cabe neste latifúndio”, e que é o cerne do texto de hoje, da + nação= danação.
Acredito
que Renato Russo, não pensou nesse quase neologismo, quando escreveu a letra,
até porque não é um neologismo, visto que a palavra existe, e neologismos são
palavras novas, derivadas ou formadas de outras já
existentes, provindas de nossa língua ou não. Talvez um cacófato, ou puro acaso
mesmo.
Mas,
vamos ao verbete: De acordo com o minidicionário SACCONI, de Luiz Antonio
Sacconi a palavra significa:
Da. na. ção s.f. (a) 1. Ato ou efeito de
danar (-se). 2. Fato de pessoa ou animal se tornar hidrófobo. 3. Raiva; fúria.
4. Condenação da alma ao fogo eterno. 5. Confusão; trapalhada. (in:
SACCONI, Luiz Antonio. Mini SACCONI. 11ª ed. São Paulo: Editora Nova Geração,
2009)
Nos
últimos anos, houve um apelo midiático em algumas tevês abertas, outras
fechadas, em apresentar novelas, séries e filmes que retratassem a escravidão,
escravidão que permaneceu mais de 300 anos, impondo a um povo, além das surras,
os estupros, o serviço forçado, a morte.
Não
há possibilidade de comparação entre a escravidão e o holocausto, ambos
ocorreram em evidências diferentes, mas a escravidão perdurou por mais tempo,
na mesma medida da maldade, pois o branco da época, não sabia valer-se sozinho
e precisava, sob as rédeas do açoite, ter um arrimo para manter-se, ou a
fazenda não prosperava.
E a
“danação”, o prejuízo a uma raça tiveram início, com a
retirada forçada de um povo de suas origens e a falsa promessa de liberdade consolidada
pela leia áurea, que ao libertar do jugo do senhor, jogou os recém-libertos ao
jugo da miséria, os “bons senhores”, mesmo depois de anos de trabalho escravo,
libertou-os com a roupa do corpo.
Como
queriam essas “boas almas”, que o negro, que sempre viveu sob a imposição e a
sevícia, agora liberto, se tornasse o Bill Gates do gerenciamento de suas
vidas? A mais vasta e pura hipocrisia.
Mais
uma de nossas heranças, heranças que herdamos desde a colonização, quando viram
que o índio era rebelde, não aprovava a disciplina imposta a ferro e entrava em
atrito com constância, optaram por escravizar um povo que não fosse tão afoito
ao revide.
Assim
persistiu esse capítulo obscuro, funesto e indigesto de nossa história e de
muitas outras, e o que assistimos nas telas não é, nem de perto a vivência do
horror, o que vemos e, às vezes, sentimos náuseas, não chega nem perto do que
foi vivenciado na pele.
Mesmo
assim, muitos brasileiros insistem em cometer todo ato de racismo, de
preconceito, de injúria, de expurgar sua incompetência e sua indignidade sobre
um povo que sofreu muitos escárnios para erguer esse país.
“12
anos de escravidão, Django Livre, Escrava Mãe, Chica da Silva, Escrava Isaura,
Raízes” e muitos outros relataram e escancararam um olhar sobre uma época, mas
a dor, o grito, o estupro, o açoite, a amputação, a tortura, a morte mediante
espancamento, com mordidas de cachorros, essas, foram sentidas por nossas
raízes.
Quando
alguém pratica o preconceito é em suas raízes que ele cospe e que assoma uma
era de vergonha.
Diante
das mortes que perpetuam no país, do crime que avança, da intolerância que
prospera, do preconceito que avilta, devemos abraçar nossas raízes, nossas
matrizes negra e indígena e dar-lhes a chance de exercer o que lhes foi tirado,
a dignidade de serem cidadãos e de viverem bem em suas terras, com o povo que
ajudaram a construir sob o jugo do sangue.
Não
devemos deixar que a “danação” prospere, num
país que tem tudo para ser uma grande nação, temos uma vastidão territorial, uma
flora de encher os olhos, uma diversidade de animais, (que são injustamente traficados e maltratados e também
devemos ater nosso olhar para esse fato), então
porque não acreditar nas possibilidades.
Acreditamos,
e creio que você leitor compartilhe do mesmo pensamento, que em 2017 a “danação” será apenas um verbete no dicionário, que a intolerância e o
preconceito cairão no esquecimento, que nossos governantes farão a diferença
nos municípios, nos estados, no país e poderemos com orgulho e de cabeça
erguida abraçar essa pátria mãe querida, e dizer que, ao contrário da “danação” temos sim, um imenso orgulho da nação!
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Por meio da leitura, promova um país melhor!
Akácia Ribeiro
Muito obrigada a todos!

Para que o futuro da nação não se torne uma real danação, é necessário zelar pela honra, brilhar nos caminhos justos sobre um tapete da verdade.
ResponderExcluirÉ isso aí meu amigo, mas enquanto o brasileiro tiver preguiça de ler e preferir ignorar e jogar os problemas para debaixo do tapete, permaneceremos com as rebeliões.
ExcluirÓtima discussão Akácia e José, nosso país precisa de pessoas que discutam sobre nossos espinhos, para que sejam retirados e a ferida curada.
ResponderExcluirQue todos pensassem como você, mas já estou feliz com a quantidade de leitores que alcancei, precisamos de pessoas que discutam e achem soluções para as nossas feridas brasileiras.
ExcluirTexto incrível com diversas discussões. Parabéns
ResponderExcluirValeu minha querida, obrigada por acompanhar!
ExcluirExcelente colocação! Meus parabéns ao meu ilustre e querido professor José Alves que me proporcionou muito conhecimento e também meus sinceros parabéns para Akácia Rybeiro!
ResponderExcluirMuitos conflitos acontecem por conta das diferenças que brotam de cada povo, de cada nação! Não basta apenas os costumes diferenciados a questão sublime ainda está atrelada com a cor da pele. Muitas pessoas se enganam quando dizem que os negros foram escravizados porque os indígenas não serviram! Triste engano. Na África ja se falava de escravidão de um povo contra outro. A troca era feita por cachaça e fumo. A mãe África já sabia o que era escravidão pois fazia parte de sua história.
A história brasileira ainda é marcada pelo ato da escravidão, um povo sofrido que se levantava com a alva e se deitava ao final do dia, sempre com histórias de sua terra e a tão sonhada liberdade que parecia desaparecer com cada negro colocado no tronco, com cada venda de um irmão. O sorriso dos mais velhos e sua sabedoria assentada na força e virilidade dos mais jovens. A verdade é que o Brasil é uma nação composta por um misto de outras várias nações. Menosprezar um conjunto de pessoas por qualquer que seja sua diferença é cuspir em suas próprias raízes!
Olá Dayane, parabéns por suas colocações e sua visão desse período funesto de nossa história, sua crítica enriquece nossas colocações, queremos pessoas esclarecidas e pensantes, para que assim possamos de fato reerguer o Brasil que queremos. Te aguardo nas próximas publicações.
ResponderExcluirAbraço.
Parabéns ao professor José Alves e a você Akácia,pela bela forma como se expressaram dentro de seus textos, como colocaram otimos pontos de vista que as vezes as pessoas não tem coragem de colocar.
ResponderExcluirAkácia minha querida você possa continuar sempre com esse trabalho maravilhoso que você esta fazendo meus parabéns.
Obrigado querida, continue acompanhando o blog.
ExcluirObrigada por seu apoio e pelo comentário, também precisamos de pessoas como você que levam a mensagem adiante, que tem uma opinião sobre o assunto, as pessoas precisam ler e interagir para transformar. Grande abraço.
ExcluirGostei muito da discussão abordada. É necessário que o debate sobre nossas raízes sejam sempre abordada, trazendo desta maneira um novo olhar e novas práticas, que concernem no respeito.
ResponderExcluirNa questão do índio, quero apontar que o mesmo foi"rebelde", pois sua lógica não se resumia ao acumular e lucrar, convivia com total sintonia com a natureza. Ou seja, não devastava de forma famigerada e gananciosa.
E ponto acerca da escravidão, os africanos que aqui chegaram, foram prontamente sequestrados, arrancados de suas terras, impondo nova língua, nova religião, com o intuito de construir uma nova identidade. Aí está a violência: Impor uma cultura que não é a sua! E ainda vistos como peças para um sistema truculento e agressivo, que é exigia a força para manter as lavouras e trabalhos pesados nas terras brasileiras.
Nossa formação deve se a muito sangue, suor, lágrimas, força e coragem.
O Brasil não foi descoberto, foi saqueado, foi estrupado. Será que esta prática até permanece?
Meu querido amigo e professor Cleyton, obrigada por suas palavras e sua contribuição nessa discussão, nossa colonização nos relegou essa herança truculenta e que ainda permanece, quando o racismo é posto em prática, mas quando temos professores como você, que tem um olhar abrangente e crítico, podemos, ainda, ter esperanças, esperanças de que nossos alunos ao tomar ciência, também tenham uma opinião pontual sobre o assunto. Abraço.
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